A Boa e a Má Consciência segundo Bert Hellinger

A Boa e a Má Consciência segundo Bert Hellinger

Você já sentiu culpa ao fazer algo que considerava bom? Ou, sem perceber, fez algo que as pessoas avaliaram como ruim? Ao observar essas duas situações opostas de forma recorrente, Bert Hellinger, filósofo e criador da Constelação Familiar, chegou ao entendimento de que elas estão fortemente ligadas ao vínculo familiar. Vamos tentar esclarecer esta complexa questão neste artigo.

 

A questão do pertencimento

De forma simplificada, Bert Hellinger identifica a boa consciência com o conhecido, o familiar, aquilo a que estamos acostumados, o terreno já desbravado. Já a má consciência seria identificada com o desconhecido (ou o ainda-não-conhecido), o novo, as verdades ainda não descobertas, os caminhos ainda não desbravados. Mas de que forma isso se relaciona ao sistema familiar?

Segundo Hellinger, é uma questão de pertencimento. Todo sistema familiar possui uma série de valores estabelecidos, e, tacitamente, nós nos adequamos a eles para sermos aceitos nesse sistema. Desse modo, o padrão familiar molda nossos comportamentos, forma nosso caráter e guia nosso desenvolvimento de maneira geral. Como consequência, acabamos reproduzindo aquilo que o sistema familiar já estabeleceu como seguro, aceitável e adequado.

Quando pensamos, sentimos ou agimos em discordância das expectativas e exigências do grupo ao qual desejamos pertencer, sentimos medo, insegurança e culpa – e é exatamente isso que Bert Hellinger chama de má consciência. Por outro lado, quando pensamos, sentimos e agimos de acordo com as expectativas e exigências desse grupo, sentimos que somos acolhidos, que pertencemos a ele – e esta é a boa consciência.

Assim, é na boa consciência que, em grande medida, nos tornamos aquilo que somos, mas é nela também que contribuímos (muitas vezes de forma automática) para perpetuar aquilo que já está estabelecido. É na má consciência que nos colocamos em situação de desafio, de ter novas experiências e de fazer diferente. O incômodo que sentimos quando saímos do padrão é pelo medo da desaprovação daqueles que queremos que nos aceitem.

 

“Boa consciência” é boa, e “má consciência” é ruim?

Não, de forma alguma. Os adjetivos “boa” e “má” associados à palavra “consciência” não são qualificações de ordem moral, mas, antes, se referem ao modo como nos sentimos. A boa consciência é a tranquilidade do pertencimento; a má consciência é o medo e a incerteza da exclusão. Mas não indicam o modo “correto” de agir, apenas a adequação ou inadequação a padrões do sistema familiar.

Durante as constelações, muitas vezes chegamos ao entendimento de que o momento pede que a pessoa enverede pela má consciência. Com isso, queremos sugerir que ela aja diferente do que seu sistema espera que ela aja, mas sempre honrando o sistema ao qual ela pertence, reconhecendo que tudo aquilo que ela é só foi possível graças a esse sistema.

O desejo de pertencer é extremamente importante, mas ele pode se tornar um grilhão que impede nossa plenitude. Em certas circunstâncias, as pessoas só poderão alcançar a prosperidade e toda a sua potencialidade nessa vida se elas romperem com certos padrões do sistema. Somente assim poderão se tornar aquilo que verdadeiramente são e buscar aquilo que realmente almejam. E engana-se quem pensa que isso significa rechaçar e prejudicar o sistema familiar: é exatamente o contrário. Com esse movimento rumo ao desconhecido, todo o sistema é afetado e impulsionado a também se renovar, a criar novos padrões, a se reinventar.

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